O caminho do meio no minimalismo digital
Existe um conceito budista chamado caminho do meio.
De acordo com o portal Olhar Budista:
O Caminho do Meio é uma expressão bem conhecida entre os budistas. O príncipe Siddhartha que mais tarde viria a se tornar num Buda viveu no luxo e com acesso a todo o tipo de prazeres, mas ao perceber que tudo isso era impermanente e que não lhe trazia verdadeira felicidade, saiu do seu palácio e abandonou a vida de luxo que levava até então. Tornou-se num asceta e passou a fazer algumas práticas radicais que os buscadores espirituais faziam na época, incluindo a mortificação do corpo. Com a vida por um fio devido a essas práticas, percebeu que esse caminho também não o levava ao que pretendia, que a solução era um meio-termo entre estar absorvido pelo prazer extremo (hedonismo) e as práticas ascetas extremas. O Buda também escutou um músico dizer que para extrair o som de uma cítara (instrumento de cordas), as cordas não podem estar nem muito frouxas nem muito apertadas, se estiverem muito frouxas não é possível produzir som, se estiverem muito apertadas vão-se partir, é preciso afinar as acordas apropriadamente. E assim, após conhecer os dois lados, o Buda rejeitou essas duas visões extremas pois não levavam à libertação e ao fim do sofrimento. (…) O “meio-termo” não se aplica a tudo e nem deve ser uma desculpa para a passividade, omissão, inação, neutralidade, silêncio e alienação (até porque a neutralidade pode ser como uma tomada de posição que pende para um dos lados, uma conivência e cumplicidade).
Quando vejo publicações sobre minimalismo digital, diminuição do uso do celular, entre outros, em regra, sempre vejo uma tentativa de evitar ao máximo o uso do smartphone com alternativas até um pouco radicais.
O que percebo é que, ou a utilização do smartphone é apenas para doomscrolling, redes sociais e perda de tempo. Ou não se deve utilizar de forma alguma o celular, a fim de se adotar soluções analógicas, que nem sempre conseguem suprir uma demanda específica.
Para mim, não vejo mais como viver na sociedade atual sem celular, há serviços que são quase que exclusivos da plataforma móvel, como serviços bancários, navegação por GPS, fotografia (para quem não tem uma câmera dedicada), serviços governamentais, cardápio de restaurante (estou de olho em você cardápio por qrcode), entre outros.
Enfim, o que resta é o caminho do meio, entre não ser abduzido pelo smartphone a cada desbloqueio de tela e nem virar o eremita anárquico analógico, ainda que seja mais plausível buscar este último.